Controle de caramujos com o uso de galinhas caipiras

A integração da produção vegetal e animal é de suma importância para o fortalecimento de sistemas de produção sustentáveis. As aves auxiliam tanto na fertilização do solo como no controle de pragas.



Um dos manejos desenvolvidos na produção orgânica de verduras e legumes é a cobertura dos canteiros com matéria orgânica, que, apesar de trazer inúmeros benefícios ao agroecossistema (manutenção da umidade do solo, diminuição de sua temperatura, controle de plantas espontâneas indesejáveis na horta, fertilização através da decomposição, favorecimento da multiplicação de microrganismos benéficos, dentre outros), traz também a condição ideal de reprodução dos caramujos. Ambientes úmidos e sombreados.


Caramujo é o nome popular atribuído aos moluscos que pertencem ao grupo dos gastrópodes. Eles chegam a colocar 400 ovos por ano e trazem inúmeros prejuízos tanto quantitativos quanto qualitativos aos produtores de hortaliças. Pois, além de diminuírem a produtividade, depreciam o produto reduzindo seu valor, devido à presença de muco ou mesmo dos próprios animais nas verduras.


Fato que traz uma perda considerável de folhosas e o comprometimento da aparência das olerícolas comercializadas nas feiras, varejões e supermercados. Os caramujos se alimentam das folhas e ficam alojados na base da planta, preferem aparecer nos horários mais frescos do dia e principalmente à noite, o que dificulta seu controle.


Uma das alternativas propostas pela escola de avicultores para sanar o problema do agricultor, é a utilização de galinhas poedeiras conduzidas através de galinheiro móvel.



Do ponto de vista da produção vegetal, as galinhas controlam de maneira eficiente a infestação de caramujos na horta, eliminando assim um problema prático emergente dos agricultores. Além de ciscarem e adubarem os canteiros, favorecendo seu preparo e fertilização sem a utilização de insumos externos.


Já para as aves, os benefícios se encontram na composição do caramujo, um alimento rico em proteína, vitaminas e sais minerais, além do cálcio presente em sua carapaça protetora, elemento que contribui para uma melhor formação da casca dos ovos de galinhas.


Lembrando que o sítio deve possuir um galinheiro fechado com equipamentos e instalações adequadas à produção em sistema caipira, com área de pastagem delimitada, configurando um sistema semiextensivo. Na estrutura proposta, as aves permanecem apenas 2 horas, nos períodos mais frescos do dia, logo após a colheita da hortaliça e se locomovem dentro do canteiro em intervalos de 30 a 40 min, se alimentando de caramujos, insetos e restos vegetais. Depois de percorrerem todo canteiro retornam ao galinheiro.


Com está prática, durante a infestação, é possível diminuir em 20% o uso de farelo de soja na ração, sem comprometer a produtividade de ovos. A ação de integração da produção vegetal-animal contribui na busca da maior autonomia técnica e produtiva dos agricultores familiares e no seu empoderamento na condução de práticas agroecológicas.