Debicagem: o que é? E como fazer?

Para diminuir as consequências do canibalismo, a produção convencional de ovos adota o manejo de debicagem. São dois os principais métodos de debicagem utilizados no Brasil: lâmina quente e radiação infravermelha.






A debicagem é um método em que se remove um terço do bico superior e a extremidade distal do bico inferior (ARAÚJO et al. 2000). O método de debicagem com lâmina quente é o mais difundido e ao mesmo tempo mais contestado quanto aos parâmetros de bem-estar. Consiste simultaneamente em cortar e cauterizar o bico por meio de lâmina aquecida entre 700 a 800° C. Esta metodologia exige a apanha de todas as aves do lote, tornando-a demorada e desgastante, tanto para a equipe que realiza o procedimento quanto para as aves. Sua execução demanda treinamento e está diretamente relacionada com as condições do operador (VIEIRA FILHO, 2016).


Visando incorporar boas práticas no manejo da debicagem, a União Brasileira de Avicultura – UBA, entidade institucional que representa a avicultura nacional no Governo Federal, no Congresso Nacional e no Poder Judiciário, estabelece uma série de recomendações em seu protocolo de bem-estar:


· A primeira debicagem deve ser realizada quando as aves estiverem entre 7 e 10 dias de idade;

· Quando a segunda debicagem se faz necessária, recomenda-se que seja feita até a 12ª semana de idade;

· Recomenda-se a troca das lâminas da máquina debicadora a cada 5 mil pintinhas ou 2 mil frangas debicadas;

· A temperatura da lâmina da debicadora deve estar entre 550 e 750°C;

· Recomenda-se o uso de uma lâmina aquecida até obter uma cor vermelha, para se efetuar uma cauterização correta;

· É recomendável que o número máximo de aves debicadas por hora seja de 600 na primeira debicagem e 300 na segunda debicagem;

· Até 2 ou 3 dias depois da debicagem, é recomendável aumentar os níveis de alimento e o fluxo de água para que as aves tenham facilidade para comer e beber sem ferir seu bico no comedouro ou bebedouro (UBA, 2008).


Segundo Mazzuco et al. (1997), mesmo adotando-se práticas de “bem-estar” na condução do manejo de debicagem, é perceptível a dor de curta a longa duração próximo à área debicada e o comprometimento temporário da habilidade da ave em alimentar-se. Para Duncan et al. (1989), o comportamento das aves muda nas primeiras semanas após a debicagem. Possivelmente devido à dor causada por esse procedimento, em uma pesquisa de observação o autor identificou menor tempo gasto com alimentação e no consumo de água e o aumento do tempo cochilando.


Recentemente, para mitigar as injúrias causadas pela debicagem convencional é crescente a debicagem por radiação infravermelha realizada no primeiro dia de vida da ave, ainda no incubatório. Com isso, ocorre a queda gradual da ponta do bico em até duas semanas após o tratamento (VIEIRA FILHO, 2016). Apesar de pouco usada, as pesquisas têm demonstrado ser uma técnica menos agressiva quando comparada a lâmina quente, proporcionando melhores condições de bem-estar sem o comprometimento dos parâmetros produtivos (DENNIS et al. 2009).

Referências


ARAÚJO, L. F. et al. Diferentes níveis de debicagem para frangas comerciais. Ars Veterinária, v.16, 2000. p.46-51.

DENNIS, R. L., FAHEY, A. G. AND CHENG, H. W. Infrared beak treatment method compared with conventional hot-blade trimming in laying hens. Poult. Sci. 88:38 – 43. 2009.

DUNCAN, I. J. H.; SLEE, G. S.; SEAWRIGHT, E.; BREWARD, J. Behavioural consequences of parcial beak amputation (beak trimming) in poultry. British Poultry Science, v. 30, p. 479-488, 1989.

MAZZUCO, H.; ROSA, P.S.; PAIVA, D.P. Manejo e produção de poedeiras comerciais. Concórdia: EMBRAPA, CNPSA, 1997. 67 p.

UBA – União Brasileira de Avicultura. Relatório Anual 2008. Disponível em: http://abpa-br.com.br/files/publicacoes/1dae07eab061c11e7985bf2c61870866.pdf. Acesso: 29 junho 2020.